Saturday, September 12, 2009

Outrora Inebriante

Indireta é algo tão inútil, bobo, covarde.

Se quer saber se algo é inocente ou intencional, pergunte diretamente.
Mantenha seus assuntos internos, internos. Divulgá-los aos ventos enquanto só dois ou três riem é intolerável, ridículo, babaca.

Enquanto isso, fique com minha indiferença.

E agradeça, poderia usar outras maneiras mais intragáveis que essa.

Wednesday, September 09, 2009

Memento cliché

Vestida da cor que os olhos lhe derem, se porta como dama eterna da verdade absoluta, mas é só de nuvem de questões que não aprendeu a ser céu aberto.

Esconde-se em redoma de vidro, se fragiliza isolada da liberdade em falsa segurança - e parece gostar da ilusão de ter um mundo.

Se tudo lhe é prejudicial, que lhe venha a ferida que ensina. Seu erro é fatal, mas você não erra em sua perfeição definida.

O culpado é seu escravo que não se vê como senhor.

Sunday, July 26, 2009

Limite imposto

Cidade dos muros altos e espinhos intimidadores, dos executivos e mendigos imundos, de quem são seus conceitos?

O essencial é social, a mistura gera pressão e o rendimento se transforma em banalização.

Pedaço de biosfera urbana que sou - dizem-me humano - desfaço meu DNA em solução alcalina e peço que me suportem até o fim.

Saturday, May 02, 2009

Frívolo

Me drene.
Roube o que há de espesso e expresso,
O que sobrou de líquido e espírito,
Mas não leve o meu vazio.

Me peça.
Alguns favores e outros mais,
Fechaduras, cofres, carros-fortes,
Mas as chaves eu não entrego.

Me note.
Não sou elogios e elegias distorcidas,
Sou reta distorção.

Não me veja.
Pela matéria reflito o que não quero,
E o sensível é o que se perde.

Thursday, April 09, 2009

Inconsistência

Meu corpo, máquina perfeita e frágil, funciona melhor que a desordem da minha mente e é ainda controlado por ela. Todos esses movimentos descontrolados e organizados se mostram mais próximos do pensamento do que a chamada racionalidade. Mas é exatamente essa essência automática que eu nego para mim.

Prefiro contrariar os movimentos cotidianos e idênticos aos da maioria que acontecem internamente e aceitar o caos como patamar padrão. No entanto, essa negação é inconsistente, é como algo mecânico querendo ser elétrico.

Essa inconsistência é logicamente ridícula, mas eu não sigo essa lógica genial.

A mim parece plausível.

Thursday, January 08, 2009

Chamam-te Olhos

Minha diminuta importância diante de tudo que me circula, mantém-me tão limitado quanto uma tira vermelha em um pacote de bolachas. Se me puxam, abre ao resto. Se me mantém, apodrece intacto. O que seria pior?

Presença sequer notada na multidão - e sem motivo para ser - que vê a mesma com olhos assustados escondidos atrás da carne que envolve a face externa, que demonstra, com algum sucesso, o que é preferido pelos transeúntes. Ou o inverso, ou alguma terceira opção.

E a distância entre tudo e eu envolve-se do destilado vazio vacuoso e estufa-se de confortável e macia coisa nenhuma, como se todas as coisas fossem importantes demais para aproximar-se. Porém essa sensação de repulsa que nunca me deram, e sempre apliquei como presente, corre no âmago da minha auto-estima deturpada por um mundo que nunca teve a intenção de fazer-me mal. Quem é pior?

É então visão, que de tão interna nomeia-se visceral, regada por sangue e gás e excretas em excesso recebidas desmedida e desfiltradamente, que eu digo com algum orgulho: minha.

Friday, December 19, 2008

Regiane, 20 anos

O post a seguir é baseado em fatos reais ocorridos no dia 07 de dezembro de 2008.

Cozinha, fome.
Algum grunhido vindo do portão, cachorros latem.
Verificação de praxe: "Não deve ser nada."

Eis que surge, no meio do meu quintal, um ser. Um ser digno de medo, mas a defesa do patrimônio da minha família sôou mais alto.

"O que é isso, caralho!?", seguido de um "Me ajuda, moço."

Me aproximei, notei sangue seco na careta quase natural daquele monstro. Aquilo virou de costas fazendo algo como um "tsc" e levantando a mão como quem demonstra indignação. Quem deveria estar indignado até então?

Camisa larga e grande assim como a bermuda surrada. Blusa servindo para limpar o sangue, enrolada.

Sentou no chão, apoiou as costas no muro. Novamente me aproximo, inseguro: "O que aconteceu, cara?"

"Sou menina, moço."

O bicho, meu Deus, era uma mulher.

Foi com amigos a Nazaré, não quis dar e levou pé (e mão também). Estavam em três homens e quatro garotas. Aconteceu o mesmo com uma segunda, mas morava mais perto e se arranjou. Não me pergunte porque não a acompanhou.

"Me deixaram perto daquele bosque* alí", disse mais tarde. Veio andando e pedindo ajuda. Nada. Achou uma casa aberta, oferecendo entrada. No desespero, entrou calada.

Chamei meu amigo Rafael, que prestou ajuda (tanto a mim quanto a ela). Minha prima passou na rua, viu e estranhou, entrou e perguntou o que houve.

Após alguma enrolação, ela lavou o rosto no tanque. Fedia pinga. Enquanto a vigiavam, eu me arrumava para levá-la ao ponto de ônibus. "Me deixando no metrô eu já consigo me virar". Deixando coisas de valor em casa, tranquei o portão e descemos a avenida. Perguntas simples pelo caminho para conhecer melhor a intrometida. Mora(va) em São Domingos/SP. Disse que tinha que ir até a estação Jabaquara, mas deve ter confundido com Barra Funda.

Queria ir até o metrô Armênia, mas o ponto é mais longe e mais vazio. Decidimos colocá-la no ônibus para o Tucuruvi, mesma linha, sem problemas. Chegando lá, mais algumas perguntas e silêncio. Sentou de novo no chão.

"Tem certeza que esse ônibus passa aqui?"
[...]
"Acho que não passa não."
[...]
"Regiane, 20 anos."
[...]
"Tá demorando muito."
[...]

Levanta, faz o mesmo gesto de indignação já feito antes e movimenta a boca enquanto o trânsito come o som. Foi andando para o lado contrário.
Eu e meu amigo desistimos dela e voltamos para casa.


E então o Gran Finale: o ônibus passou logo depois que atravessamos a avenida.

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*aka Calipau (Vila Fátima - Guarulhos)

Sunday, July 27, 2008

Crosta

Justificativas são insensatas, insensíveis e inumanas.
Qualquer derivado do radical just- tem as mesmas características.
Ser humano é ser individual, é dividir-se somente em Si-mesmo e Mundo. Essa é a ordem natural das coisas.

Estou bebendo de meu próprio sono, e tem teor alcoólico. Mas nem por isso perdi a consciência. Infelizmente.

Tuesday, July 22, 2008

Heaven or Hell?

Ao entrar num túnel, geralmente você imagina o que estará do outro lado. Mas quando esse final é incerto é um risco que você pode ter, ou não.

A luz pode ser vista, mas a distância é incalculável. Desde que as conseqüências sejam assumidas, continue em frente. Entretanto o imprevisto sempre está por perto e os planos podem mudar completamente.

Toda incerteza exige um desafio.

Saturday, July 05, 2008

Mensonge

Se algo é individual, que continue a ser assim.
Confiança é raridade que deve ser compartilhada consigo mesmo; ao sair de sua boca passa a ser do mundo e o mundo não tem noção ou limites.
O mundo não entende a redoma interna que são seus pensamentos, tudo o que sabe são histórias contadas e julgamentos que ele mesmo faz.

Julgamentos são sempre incompletos;
Opiniões devem ser mantidas;
Explicidade só em pornô.