Sexta-feira, Agosto 26, 2011

Diebus Fatalibus

Aflição.

O Inferno se sublima em sentimento e me habita, como parasita que se alimenta de ânimo.

A profundeza em chamas — que jamais existiu como no mito — gera pressão, e esta esmaga seus habitantes.


Decepção.

O real ganha forma de acordo com a volição, como parasita que se alimenta de ânimo.

A superficialidade por excelência — que jamais existiu como absoluta — não gera coisa senão ambiente estéril a ser preenchido.


Esperança? De que e para quem?

Não, nenhuma. O nome é expectativa, criada pelo medo do invisível e do inesperado.

Se é necessidade vinda do medo, diz-se coragem?

Se visa afastar o embate, diz-se precaução?

Surge da pressão e vira crença?


Algo injeta significado, outro aceita e reage.

Como máquina sem vida pede combustível, pedimos sempre mais significado — daí vem o crescer, o questionamento e a sensação de existir.

Entretanto, toda mecânica falha na escassez e no excesso; quanto mais se gasta ou mais se injeta, mais se perde força e mais se percebe a finitude do efeito. Daí se vai o crescer, o questionamento e a sensação de existir.

Sobra a mecanicidade frágil e débil. Nota-se, então, a faixa limitada que pode ser processada como informação construtiva. Todo o resto é destruição, desconstrução e inexistência.

Pede-se explicação e tudo ressurge de forma anti-explicativa. Clama-se pela Verdade, mas não a conhecemos senão por véus.


O dia acabou e agora tudo é noite e incerteza.

O dia acabou e os véus tornam tudo ainda mais escuro.


Quando definimos leis, falamos de acaso. Quando definimos acaso, falamos da única lei.

O interno é fantasioso e o externo é casca oca.

Somos nada senão ilusão.

Sábado, Agosto 20, 2011

Incômodo

I
O mendigo que dorme na frente da loja falida olhou para mim. Eu não olhei de volta.
Pensei comigo se ele foi o abandonador ou o abandonado.
Pensei, na mesma situação, em qual eu seria e concluí que o agradável é o não pensar.

II
A filtragem de informações se torna cada vez mais refinada.
Tanto pelo excesso de sujeira podre, que já limpa o grosso por si, quanto pelo tamanho das partículas que conseguem atravessar a camada final. Num momento passado, a grade espaçosa deixou muitos dejetos entrarem. Estes causaram algumas avarias, devido à grosseria do material.
Atualmente, a imundice é essencial para o grau de pureza interna. Vem requintada e auxilia a criação de novos micro-organismos (danosos ou não, desde que superem a seleção natural).
Chegado este ponto, a barreira de imundice vira o filtro. Agora tudo é imundice refinada.

Penso até quando isso vai importar. Se é que importa.
Penso, ainda, se futuramente haverá pureza.
Novamente, o agradável é o não pensar.

III
Tornei-me emocional. Egocentricamente emocional.
Toda transformação passa por um afunilamento chamado “introspecção”. Neste intestino intelectual — em que tais micro-organismos atuam — toda absorção é efêmera e todo processo resulta em fezes.

Extraí o etéreo do material. Deste, criei nova matéria.
Agora toda matéria é espírito e todo espírito inexiste.

IV
Toda mudança, sem julgamento de valor, é premeditada pelo incômodo.
O prazer gera inércia ou, se gera abalo, vira combustível de si mesmo.
Se não é o objetivo, torna-se.

O ideal é estar desagradado.
O ideal é ser desagradável.

Terça-feira, Junho 14, 2011

Autoestima

Lembro-me da infância, quando tinha uma estúpida e explícita diferença nós e eles, os grandes.
Majoritariamente respeitada, já que aqueles instruiam esses de pouca experiência e tinham o poder da altura e da força - tudo ao mesmo tempo. Mas tinham os rebeldes.

Hoje, dito adulto, vejo que a estupidez é ainda maior. A diferença continua, mas os argumentos para justificá-la são tão respeitáveis quanto cheios de sentido. Mas quando não foi?

Nem sempre entre pessoas ou fatos
Ou sentimentos
Ou si mesmos.
Não importa a relação, a sensação é circular e viciosa.

O problema surge quando a experiência se transforma em veneno.

Quinta-feira, Junho 02, 2011

Ser

I

A lâmpada da rua estava acesa
Ignorando toda a luz do sol
Irradiando sua própria luz
Mostrava sua força e energia


II

Tudo é ilusório e frágil
O que te dá a possibilidade de se iludir é igualmente ilusório e frágil

Não é possível ser algo
Intervenções externas e reações químicas dominam tua existência

Desfaça o que fez e encontrará teu espírito
Te encorajo a fazer e adianto que não conseguirá

O controle não existe senão no tempo


III

Se não há controle, não há sentido

Orgulho-me do que fui mas serei melhor
Agora, despeço-me dos inferiores

Fragilidade? Ilusão?
Aproveitarei da fragilidade para quebrar
E da ilusão para criar


IV

O novo sustentáculo me destaca.

Sinto os olhares e os julgamentos.
Sinto-me diferente dos demais
E considero a possibilidade
De toda essa vaidade
Ser completamente
Proposital.

Presunção?

O conforto se tornou incômodo,
O idealismo se tornou rígido
E a composição se tornou arrogante.

O novo sustentáculo me fez apear
E sentir um chão que não é.


V

A energia abalou a lâmpada
Agora a eletricidade circula, mas não flui

A Importância, em todas as suas aparições, surpreende pelos trajes
Consegue prioridade quando ganha a atenção

A Importância é fumaça de artifício
Ao resto, as sobras


VI

Eis que surge, originada do Infinito e do Sempre, a linha relativa
Segue com todos seus atributos relativos
Nada é certo além dela mesma

A dona do sentido não o aceitou para si e se mostrou irreal
Com sua inegável existência, ela se mostrou irreal
A Existência se curvou

Na linha relativa, o voltar e o parar não são verbos


VII

Frágil, o vidro ignora seu interior.
Superficial, ignora sua própria constituição.
Divino por sim.

Retirados os restos imortais, a Imortalidade surge.

Sexta-feira, Maio 27, 2011

Deslocação

Em tudo há a necessidade de completar lacunas, o fato ainda não consumado pede opinião
E nós, ignorantes do futuro e das incertezas, sem notar, as damos como fixas

A expectativa, quando percebida, mostra-se instantaneamente vazia
Como bolha de aparência tocável que estourou por leve contato

Reconhecemos a existência do desconhecido como tal
Mas a aceitação prefere uma ilusão qualquer

O desconforto antecede a mudança
O reacômodo a retrocede

Sábado, Janeiro 15, 2011

Combustível

A tal confusão transforma tudo num mosaico sem lógica
A cor que se une a outra e forma a arte resolveu cair
O espaço em massa crua endurecida tomou seu lugar
Permanentemente enquanto o for

Encaixa-se outro ladrilho e cria-se novas conexões
Nem sempre parecidas e definitivamente nunca iguais
O que se foi larga sua lacuna sem conteúdo ou alma

Sobram restos
Pequenos pedaços rotos do ladrilho permanecem no muro
Pequenos pedaços firmes do muro são levados por ele
O corrompido é irretornável
O novo se faz necessário

Não se perde o não tido.
Eu fui o objeto, mas perdi-me no labirinto dos sentimentos sem razão.

Terça-feira, Dezembro 28, 2010

Etéreo

O sofrer, como tudo, perde o próprio sentido quando é percebido. A percepção tem a capacidade de tornar tudo sutil. Ou infantil. (Infantil?)
Do enorme ao banal, essa é a propriedade.

No decorrer da consciência e da falta dela, temos criado mundos complexos. Tão complexos que não compreendemos nossa própria criação. A criatura tem garras.

Esquecer o que, quando não há o que lembrar?

Existir é muito abstrato.

Quarta-feira, Dezembro 01, 2010

Desânimo (ou ânimo abstruso)

Sou medíocre no que faço de melhor, por isso minha evolução deixa de sê-la.
Vira algo que é persistência
(que é insistência
que é paciência
que é excessiva)
de tentar agir quando se é a imagem da inércia.

Coberto de fuligem e pó de engrenagem, não sigo adiante por estar imobilizado.
Todo núcleo está tão compactado dentro dessa crosta que o superficial imediato acaba por se tornar permanente.

Nesse egoísmo mútuo e imposto de mim comigo mesmo, não há o social dos sentidos – a fome de mostrar ao mundo.
O que tem é o sentir
(e nele a falha
e nela a negatividade
que se excede por nada)
e só isso transborda em mim.

Terça-feira, Junho 22, 2010

Mergulho

Foi julgado do modo mais justo e selvagem que tinha ao alcance.
Ainda assim, o último desejo foi realizado: teria direito aos seus óculos de mergulho.
Amarraram uma pedra em seu pé direito e foi arremessado ao mar.
Assim, com uma pedra e um par de óculos. A roupa só sujaria o deserto deles.

Eles sabem ser cuidadosos.

O orgulho nunca o permitiria morrer afogado, então decidiu assistir todo
o caminho
até o
fundo.

A beleza vista não condizia com sua condição. Ou sim.
Era praticamente um descobridor, quase esqueceu a morte
próxima e óbvia e irrecusável e
inescapável.

Toda a vista cliché não combinava com sua fuga do cliché da vida morte afogada.
Mas era bonito. Mais que sua morte vida inteira.
Não que haja comparação entre um e outro.

A pressão foi chegando, pressionando seu tórax, mas seu fôlego e força eram incríveis.
A pressão foi chegando, pressionando seus olhos.
A pressão foi chegando, pressionando seu crânio.
A pressão foi chegando, pressionando seus ossos.
A pressão foi chegando, pressionando.

A pressão foi chegando, causando dor.
Estalos.
Estalos. Estalos.

Terça-feira, Maio 18, 2010

Efeito

Angústia. Melancolia.
Negativas que não.

Chegam suavemente em teus pensamentos e te fazem companhia.
As falhas são seu mar, e são navegadas em gôndolas elegantes e sutis.
Teus planos, feitos ou não, falham. Tuas atitudes, tentativas, rascunhos...
Tudo falha, pensado ou manifestado, em todos os planos possíveis.
A perfeição inexiste e as possibilidades são infinitas.
A certeza fixa é que mais de uma guia à falha. E essa, àquelas.

Quando inavegável por excesso de embarcações, a Mediocridade acena.
E mesmo quando ela é sua amiga íntima, ainda há chances.

Quem não se deleita na prazerosa dor criativa, a nega.
E ela sabe retribuir.

Quinta-feira, Abril 15, 2010

Otimidade

A melhoria nem sempre importa, a qualidade não se aprofunda.
O mais fácil, simples, rápido. O mais corrido.

A diluição exagerada e efetiva em prol da maioria. A contaminação.

A dificuldade em obter disciplina se equivale ao inverso do nível de heroísmo de saber lutar consigo.

O aclive é extraordinário, o declive é o padrão.

Sábado, Novembro 28, 2009

Fragilidade

Felicidade, essa é a palavra.
Mas em sua titânica vastidão não cabe um pequeno texto sobre nada.

Estou insatisfeito como já estive, mas o que me incomoda é esse contexto que se confunde com meu cotidiano.
Estou incomodado com o alheio que se alocou em níveis profundos de irritação, e o que me tranquiliza é a insignificante ou inexistente crença no tempo.
Me irrita, sim, fatos que me influem quando eu deveria me ausentar e largar às moscas o que pertence a elas.
Decepção, desgosto, desespero.

Felicidade. Essa é a palavra.
Tão absurdamente frágil em seu objeto quanto o tamanho do seu campo de abrangência.

Sábado, Setembro 12, 2009

Outrora Inebriante

Indireta é algo tão inútil, bobo, covarde.

Se quer saber se algo é inocente ou intencional, pergunte diretamente.
Mantenha seus assuntos internos, internos. Divulgá-los aos ventos enquanto só dois ou três riem é intolerável, ridículo, babaca.

Enquanto isso, fique com minha indiferença.

E agradeça, poderia usar outras maneiras mais intragáveis que essa.

Quarta-feira, Setembro 09, 2009

Memento cliché

Vestida da cor que os olhos lhe derem, se porta como dama eterna da verdade absoluta, mas é só de nuvem de questões que não aprendeu a ser céu aberto.

Esconde-se em redoma de vidro, se fragiliza isolada da liberdade em falsa segurança - e parece gostar da ilusão de ter um mundo.

Se tudo lhe é prejudicial, que lhe venha a ferida que ensina. Seu erro é fatal, mas você não erra em sua perfeição definida.

O culpado é seu escravo que não se vê como senhor.

Domingo, Julho 26, 2009

Limite imposto

Cidade dos muros altos e espinhos intimidadores, dos executivos e mendigos imundos, de quem são seus conceitos?

O essencial é social, a mistura gera pressão e o rendimento se transforma em banalização.

Pedaço de biosfera urbana que sou - dizem-me humano - desfaço meu DNA em solução alcalina e peço que me suportem até o fim.

Sábado, Maio 02, 2009

Frívolo

Me drene.
Roube o que há de espesso e expresso,
O que sobrou de líquido e espírito,
Mas não leve o meu vazio.

Me peça.
Alguns favores e outros mais,
Fechaduras, cofres, carros-fortes,
Mas as chaves eu não entrego.

Me note.
Não sou elogios e elegias distorcidas,
Sou reta distorção.

Não me veja.
Pela matéria reflito o que não quero,
E o sensível é o que se perde.

Quinta-feira, Abril 09, 2009

Inconsistência

Meu corpo, máquina perfeita e frágil, funciona melhor que a desordem da minha mente e é ainda controlado por ela. Todos esses movimentos descontrolados e organizados se mostram mais próximos do pensamento do que a chamada racionalidade. Mas é exatamente essa essência automática que eu nego para mim.

Prefiro contrariar os movimentos cotidianos e idênticos aos da maioria que acontecem internamente e aceitar o caos como patamar padrão. No entanto, essa negação é inconsistente, é como algo mecânico querendo ser elétrico.

Essa inconsistência é logicamente ridícula, mas eu não sigo essa lógica genial.

A mim parece plausível.

Quinta-feira, Janeiro 08, 2009

Chamam-te Olhos

Minha diminuta importância diante de tudo que me circula, mantém-me tão limitado quanto uma tira vermelha em um pacote de bolachas. Se me puxam, abre ao resto. Se me mantém, apodrece intacto. O que seria pior?

Presença sequer notada na multidão - e sem motivo para ser - que vê a mesma com olhos assustados escondidos atrás da carne que envolve a face externa, que demonstra, com algum sucesso, o que é preferido pelos transeúntes. Ou o inverso, ou alguma terceira opção.

E a distância entre tudo e eu envolve-se do destilado vazio vacuoso e estufa-se de confortável e macia coisa nenhuma, como se todas as coisas fossem importantes demais para se aproximarem. Porém essa sensação de repulsa que nunca me deram, e sempre apliquei como presente, corre no âmago da minha auto-estima deturpada por um mundo que nunca teve a intenção de fazer-me mal. Quem é pior?

É então visão, que de tão interna nomeia-se visceral, regada por sangue e gás e excretas em excesso recebidas desmedida e desfiltradamente, que eu digo com algum orgulho: minha.

Sexta-feira, Dezembro 19, 2008

Regiane, 20 anos

O post a seguir é baseado em fatos reais ocorridos no dia 07 de dezembro de 2008.

Cozinha, fome.
Algum grunhido vindo do portão, cachorros latem.
Verificação de praxe: "Não deve ser nada."

Eis que surge, no meio do meu quintal, um ser. Um ser digno de medo, mas a defesa do patrimônio da minha família sôou mais alto.

"O que é isso, caralho!?", seguido de um "Me ajuda, moço."

Aproximei-me, notei sangue seco na careta quase natural daquele monstro. Aquilo virou de costas fazendo algo como um "tsc" e levantando a mão como quem demonstra indignação. Quem deveria estar indignado até então?

Camisa larga e grande assim como a bermuda surrada. Blusa servindo para limpar o sangue, enrolada.

Sentou no chão, apoiou as costas no muro. Novamente me aproximo, inseguro: "O que aconteceu, cara?"

"Sou menina, moço."

O bicho, meu Deus, era uma mulher.

Foi com amigos a Nazaré, não quis dar e levou pé (e mão também). Estavam em três homens e quatro garotas. Aconteceu o mesmo com uma segunda, mas morava mais perto e se arranjou. Não me pergunte porque não a acompanhou.

"Me deixaram perto daquele bosque* alí", disse mais tarde. Veio andando e pedindo ajuda. Nada. Achou uma casa aberta, oferecendo entrada. No desespero, entrou calada.

Chamei meu amigo Rafael, que prestou ajuda (tanto a mim quanto a ela). Minha prima passou na rua, viu e estranhou, entrou e perguntou o que houve.

Após alguma enrolação, ela lavou o rosto no tanque. Fedia pinga. Enquanto a vigiavam, eu me arrumava para levá-la ao ponto de ônibus. "Me deixando no metrô eu já consigo me virar". Deixando coisas de valor em casa, tranquei o portão e descemos a avenida. Perguntas simples pelo caminho para conhecer melhor a intrometida. Mora(va) em São Domingos/SP. Disse que tinha que ir até a estação Jabaquara, mas deve ter confundido com Barra Funda.

Queria ir até o metrô Armênia, mas o ponto é mais longe e mais vazio. Decidimos colocá-la no ônibus para o Tucuruvi, mesma linha, sem problemas. Chegando lá, mais algumas perguntas e silêncio. Sentou de novo no chão.

"Tem certeza que esse ônibus passa aqui?"
[...]
"Acho que não passa não."
[...]
"Regiane, 20 anos."
[...]
"Tá demorando muito."
[...]

Levanta, faz o mesmo gesto de indignação já feito antes e movimenta a boca enquanto o trânsito come o som. Foi andando para o lado contrário.
Eu e meu amigo desistimos dela e voltamos para casa.


E então o Gran Finale: o ônibus passou logo depois que atravessamos a avenida.

______________________________
*aka Calipau (Vila Fátima - Guarulhos)

Domingo, Julho 27, 2008

Crosta

Justificativas são insensatas, insensíveis e inumanas.
Qualquer derivado do radical just- tem as mesmas características.
Ser humano é ser individual, é dividir-se somente em Si-mesmo e Mundo. Essa é a ordem natural das coisas.

Estou bebendo de meu próprio sono, e tem teor alcoólico. Mas nem por isso perdi a consciência. Infelizmente.

Terça-feira, Julho 22, 2008

Heaven or Hell?

Ao entrar num túnel, geralmente você imagina o que estará do outro lado. Mas quando esse final é incerto é um risco que você pode ter, ou não.

A luz pode ser vista, mas a distância é incalculável. Desde que as conseqüências sejam assumidas, continue em frente. Entretanto o imprevisto sempre está por perto e os planos podem mudar completamente.

Toda incerteza exige um desafio.

Sábado, Julho 05, 2008

Mensonge

Se algo é individual, que continue a ser assim.
Confiança é raridade que deve ser compartilhada consigo mesmo; ao sair de sua boca passa a ser do mundo e o mundo não tem noção ou limites.
O mundo não entende a redoma interna que são seus pensamentos, tudo o que sabe são histórias contadas e julgamentos que ele mesmo faz.

Julgamentos são sempre incompletos;
Opiniões devem ser mantidas;
Explicitude só em pornô.

Domingo, Junho 29, 2008

Fim de Domingo

O dia amanhece e ruma ao crepúsculo. E vem a noite e a lua.
Ontem acabou uma semana e o descanso tornou-se patológico.
Hoje acabou o humor, o sorriso desmancha em desânimo.
Amanhã é mais um dia de outros seis que virão.

Arraste-se, mas vá em frente.

Quinta-feira, Junho 26, 2008

Atrás do vidro da porta

Distorção, repetição, confusão.
Desconfiança, insegurança, uma sombra!
Questionamento, análise, indução ao negativismo;
Ascender, acender, abrir.

A realidade é mais plana do que se imagina. 

Sexta-feira, Junho 13, 2008

A Negatividade Além do Mundo.

E foi a favor de todo minuto desperdiçado que tentei por na prensa uma luz; luzes não são comprimidas. Não assim.

Inegavelmente um universo contém o seu inverso.
Não há macro, não há micro. O que há é o que se fala, além disso é especulação.
E no fim, nada resta senão o fim. Recomeços não existem, nada começa de novo: simplesmente começa um novo.
Não há pedidos nem desejos. Não há o haver.

A compressão periódica do tempo físico volta a atacar.

Quarta-feira, Maio 28, 2008

Math

(Mexendo nos meus CDs antigos, eis que eu acho um .txt de Abr/2007:)

Relação recíproca de igualdade(, fraternidade e liberdade?)

(sqrt)9 = 3

Transformação da igualdade real em igualdade(, fraternidade e liberdade!) aparente

3 = 3

Preconcepção da idéia ocular visando um resultado único e subjetivamente igual(, fraterno e liberto)

3


2 + 1 = 3 ? Não!
3 = 1 + 2 ? NÃO!

2 + 1 = 2 + 1 !
3 = 3 !

- Me nego a não me contrariar.
- Mas isso fere a Lei Y do seu mapa astral que diz que você é uma pessoa orgulhosa e se nega a se contrariar. Você pode ser preso (por que? por quem? por quem/x/y/z?).
- Me nego a minha negação imposta pelos planetas no dia em que saí do genital da minha mamãe!
- Seu futuro é triste, devo ter pena?
- Seu mundo é triste, devo chamar-lhe coitado?
- Seu mundo inexiste.
- Seu mundo existe?
- Mundo?
- Seu!

Seu eus sue esu ues use, use, use.
Use e abuse e volte no nosso humilde comércio e consuma.
Comsuna somcuna soncuma consuma, suma, suma.
Suma, emagreça em (h)um mês regido por Vênus ou Saturno. Sinta-se melhor.
Melhor, mElhor, M(Olhe)r.
Olhe e veja, olhe e compare: 1 + 2 = 3


Eureka!

Quarta-feira, Maio 21, 2008

Vosso âmago

Seja o primeiro a criar e terá a verdade. Contudo a criação é desnecessária, seja o primeiro a sacar e terá a vida do seu oponente.

A reciprocidade é doentia e pode destruir continentes. Não, a falta dela o faz. Ou ambos, ou nenhum. Ou não.

A veracidade dos fatos é medida de acordo com o peso do argumento. L'esprit d'escalier court après l'homme.

Inocente é quem não sabe ou sabe e não sabe usar.
Inocente é quem usa e não percebe.
Inocência não existe senão fora dela mesma.

A doce inocência é pensar e acreditar em utopias.
Esqueça que é humano e prossiga na evolução real.

Sábado, Maio 17, 2008

Epístola aos Afogados

Saudações, Seres Impuros!

Afasto-me de vossa ausência de luz por motivos óbvios, mas não acheis que vos temo ou que sinta asco por vós. Pelo contrário, há ainda um certo orgulho de poder chegar aqui e falar-vos que não participo de vossa horda.
Há muita honra em perder-se sabendo o caminho de volta, claro que há. Tento mandar luz refletida num papel branco, mas toda tentativa é falha. Até onde sois capazes de suportar vosso próprio lamaçal?

Mando-vos esta humilde mensagem sem propósito por um motivo: não o há senão a ele mesmo! Confiai, crianças, talvez seja melhor que engolir desse esterco fresco o qual nivela em vosso queixo. Gostaria de dar uma mão, se vosso egoismo não fosse me puxar para vossa podridão. Por este motivo prefiro usar de todas as palavras de nosso idioma e berrá-las para fazerdes ouvir a sussurrá-las em vosso ouvido entupido e estúpido.

Porém, do maior nivel de profundidade de minha sinceridade, grito: continuei, continuei! Pode ser que meu ponto de vista não seja mais do que um véu fétido.

Segunda-feira, Maio 12, 2008

Legado dos Vinte

Nome plagiado do Santuário das Almas


Há 20 anos, numa maca de hospital, eu prendi meu pequeno pé na costela da minha mãe. O médico disse a ela: "Ou você ou o bebê"; não sei se escolheram-me, mas estamos os dois vivos.
Há cerca de 18 anos eu tinha um pai.
Há 17 anos eu sei ler e escrever.
Há 15 anos eu estava entrando no prézinho.
Há 7 anos eu comecei a saber o que é amizade de fato.
Há 5 anos eu deixei de acreditar em muita coisa.
Há 3 anos tento entrar numa universidade.

Há 20 anos atrás eu nasci.
Há menos de 20 anos eu tenho consciência que vivo.
Há 5 anos atrás comecei a me perguntar se isso vale a pena.

Acho que uma data dita "importante" nunca pareceu tão ridícula a mim.

Terça-feira, Abril 29, 2008

Absolutamente Relativo

Quando não há mais o que dizer, pra quê se calar? Sempre há novos planos e dimensões nos assuntos repetidos a serem explorados, e, indiferente de quem, qual ou o quê, sempre tem palavras novas pra substituir e figurar melhor seu panorama.

Diz-se infinito o que não tem fim, mas o que não tem fim? Mesmo o infinito acaba, uma hora ou outra alcança-se o limiar entre a luz intensa e o nada, mas não imagine esse nada como trevas, pois até as trevas é algo e a luz intensa sempre consegue ser mais cegante que a escuridão total.

Isso demonstra quão ilimitados somos dentro de nossa limitação, ainda que o limite seja irreconhecível (enquanto não o é, ultrapassamos ou definhamos na escassez de vida). Internamente temos um universo inteiro; um organograma de todas nossas possibilidades mora nesse universo, com superiores e subordinados mas não somos uma empresa, somos um universo. O que expomos mundo a fora é um reflexo do tal organograma, indiscutivelmente. Uma infinidade de possibilidades acontece a todo momento dentro da sua rede neural e infinitos materiais e sensações o cerca, mas essa infinidade não é absolutamente infinita.

Infinidade absoluta é utópica como qualquer coisa absoluta. Enquanto houver outros cérebros a funcionar, qualquer coisa absoluta é automaticamente falsa. Estamos sempre relativamente errados como esse texto. (ou não.)

Afinal, pra quê serve a expressão? se dela só temos a prova concreta que não somos iguais. Convivemos em infinita diferença, mesmo que ela não exista.
Para todos os propósitos é melhor que continue assim, sem resposta. A resposta não caberia em nenhum idioma humano.

Domingo, Abril 13, 2008

Volição

Eu seria capaz de criar, mas falta capacidade
Eu seria capaz se eu fosse capaz de criar
Eu poderia ter conhecimento e criatividade, aí criaria
Eu poderia ter capacidade também, mas tudo me falta.

Para capacidade falta disciplina, e disciplina me falta
Falta contato com criações, opiniões e vontade? Não!
Falta disciplina, ah! malditinha, sinto imensamente sua falta
Não sei se já a tive para sentir falta, mas me falta a falta.

Para disciplina falta capacidade e a recíproca se manifesta
e responde em berros e gritos e movimentos bruscos que
poderiam ser mais bruscos se tivesse capacidade de fazê-los ser.

Para criar e saber e conhecer e, finalmente, fazer,
eu poderia ter capacidade, disciplina e criatividade.
Não as tenho, não as tive, mas sinto falta de sentir saudade.

Terça-feira, Janeiro 22, 2008

Sentimental

Acostume suas mãos ao escuro, apague as luzes e relaxe.

Mantenha-se fixo em um ponto fixo.
Sinta a mudança e permaneça fixo.
Perceba detalhes e as nãocores.
Sinta o chiado em sua visão.
Note que isso é um espelho.
Sinta um reflexo no espelho.
Perceba do nítido e do obscuro.
Sinta da perfeição ao pior entulho.
Mantenha-se mutante e seja seguro.

Acostume seus olhos ao clarão, acenda as luzes e relaxe.

Quarta-feira, Janeiro 16, 2008

Escassez

Querida, querida disciplina
Na sua cidade falta gasolina
Falta energia e falta parafina
O que sobra em ti, menina?

Sexta-feira, Dezembro 28, 2007

Texto

Se eu fosse escrever um texto ele seria grande, com linguagem metamórfica e multiplos sentidos, milhares deles. Seria um texto daqueles que você lê e se interessa, chega no final e se pergunta coisas absurdas.

O cenário seria limpo e básico, escassez de cores e luz (assim sequer um personagem imaginário teria vergonha de atuar) e a platéia seria você: ser bestial e criador, o cara que pesa palavras e vê a ótica desfazer-se em silêncio (agora explique a ligação entre a treva e gritaria). A visão seria atrapalhada por névoa ou chiado que fosse. A sensação seria de pêlos arrepiados e dentes batendo. O som seria audível e o audio seria visível. Seria um Mundo inteiro em algumas sinapses e algumas tosses.

Assim, quando eu escrever algo, eu vou ter a tabela pronta com palavras, figuras de linguagem e cenas apropriadas. E então terei um padrão meu. Mas de que adianta? se o leitor vai transformar em algo dele, com imagens e lembranças e traumas dele? e minhas figuras morrerão, para sempre, dentro de mim e do meu texto que eu escrevi para ele ver o que eu vejo? Textos são anônimos e a anonimidade contrai, atrai e se espalha.

Quando eu escrever um texto ele vai virar um álbum.
Metáfora boba, ninguém vê com textos.
Ninguém vê com textos.

Terça-feira, Dezembro 18, 2007

Intensidade flutuante

Quando me disseram que o supérfluo é importante notei que o inverso do alheio é mais importante ainda. Só não aprendi a medir.

Sábado, Novembro 24, 2007

Diálogo

- Acho que enxergo longe demais, por isso acho que é tudo tão intuitivo. Vou além do padrão humano e viajo ao cosmos em busca de respostas efetivas e rápidas. Com essa visão tão distante é fácil entender que todo mundo tem razão supondo que cada um lida com sua própria redoma, e mesmo que não haja, há. Queria saber como é fora da redoma primeira, deve ser um caminho sem volta para a lucidez. É por isso, além de outros motivos, que eu sou tão compreensivo com todas as pessoas.

- LIAR! LIAR!

- dhor an´pe?

- ´W.

Superintendência

Oval, flexível.
Rasga: Hmmmm!

Oval, comestível, ocopaco.
Abre: olha, a surpresinha!

Cilindrico com as bordas arredondadas, rígido, ocopaco.
Abre: Ploc! Eu não queria esse. Mãe, compra outro?


- É legal como somos parecidos com Kinder Ovo.

Quarta-feira, Novembro 14, 2007

Manual Prático

Argumentativa no.1 - consiste em demonstrar seu lado
Argumentativa no.2 - consiste em fingir que enxerga o lado alheio
Argumentativa no.3 - consiste em impor seu lado
Argumentativa no.4 - consiste em consistir a consistência do seu lado
Argumentativa no.5 - consiste na prova cabal de que a consistência de seu argumento consistente é tão macio quanto x
Argumentativa no.6 - consiste na contradição total
Argumentativa no.7 - Deus descansou nesse argumento.

Suponhamos que tudo isso fosse verdade, então teríamos NJEKSQTNARMANNELNAWQWENLQNJEWQEWQDFSDSNDFNOKRNA

Domingo, Outubro 28, 2007

Sábado, Outubro 06, 2007

Entre o fio ideal

Sabe quando você tá na corda-bamba, com aquele bambu equilibrador passando de um lado pra o outro? Nem eu.

Mas tô metaforicamente andando sobre um fio ideal: sem massa, sem atrito, sem nada que pudesse provar que ele existe de fato.

De um lado eu posso perceber que esse fio não existe, nunca existiu e nem tem como existir e vou acabar caindo ao me dar conta disso, ou continuar insistindo na existência do fio e na esperança que ainda resta.

E, sabendo que posso cair de várias formas diferentes e inesperadas (crendo ou não no fio) ou alcançar o desejado other side. O que eu faço, doutor?

Terça-feira, Outubro 02, 2007

Sábado, Setembro 22, 2007

A Beleza Minimizada

Eufemismo emprega termos mais agradáveis para expressões consideradas pesadas, por quem fala ou por quem ouve. Transforma lixa em veludo.

Já declamou seu eufemismo hoje?
O eufemismo cotidiano é lindo.
É pop.

Ilusão idiótica

Unreachable, un_able, unable.

Pois há verbos não permitidos para alcançar a subjetividade e a vontade de ser lido e compreendido de diversas formas.

Pois nego a negação com outra!
unanable. Ya?

Pois há verbos não permitidos para alcançar a subjetividade inexistente, caríssimo e criativo leitor.

Pois, portanto, não há subjetividade, há idéias incompletas. Mas jamais acredite em mim.
Jamais.

Isso é tudo que eu não queria. Para esquecer basta pensar em algo: nada.

A(s) Raposa(s) e o(s) Chaochao(s)

Tudo o que as mãos com polegares e massa cinzenta pseudo-superior tocam, buscam, de algum forma, um estilo e um valor. Inclusive essa alusão a humano que eu usei logo alí. Cada um se exterioriza de modos diferentes, mas a busca pelo contrário os atrai para a igualdade de seu circulo social real ou imaginário. O negativo e o positivo não passam de conceitos relativos, assim como as cores (como eu vou saber se seu azul é o mesmo que o meu? Insisto que há diferença!)

Bendito relativismo que nos faz tão relativamente iguais.
Maldito relativismo que nos faz tão relativamente diferentes.
(e outras combinações possíveis em conotações parecidas)

...

Malditas (benditas?) curvas que insistem em nos usar de cobaias!


Considere essa a confissão de um conspiracionista metalinguistico:
Bem que eu poderia ter escrito isso na forma de fábula, ia ficar bonitinho, acho.

Domingo, Setembro 16, 2007

Sua culpa!

Um ponto azul bic, imagine. Isso.
Agora põe esse ponto no meio de um monte de ponto diferente, você reconhece o primeiro?
É, foi você que fez.

Diferenças são reconhecidas por seus criadores.
Ou não [?]

Sábado, Agosto 11, 2007

Soneto Inglês

I am
You is
He is
She am

It is
We are
You are
They is

I was, you were
He was, she was
It was, we was
You were, they were

The book was on the table
... where is the table?

Quarta-feira, Agosto 08, 2007

Soneto da Manicurepedicure

amolao alicatee faça a unhafaça a unha

amorao aricatee tira cuticuratira cuticura

amodao adicatee a direita

amolhao amilhatee lixa o casco

Quinta-feira, Agosto 02, 2007

Soneto Incompleto

Shfdhjweuh ewhrhefd dfjerth,
Fd feweids hgkfg yu ikuy fdera.
Gwdfwe rrewds fsdgfseg s rth,
Srhtyjdtjrtdgrsetrest afgera,

Asdfrhewr fdwrew fcsf vfdgrw,
Dhrew hggr kuuijngf fdeferew,
Mruewahr fewa awe wergrw.
Prehre fdle fdskser rtewerew!

Fgawre fewgrthyu gfa efa
Vreiyuser fwer fwa fgaega.

Sábado, Junho 02, 2007

Flamarion

Por sete épocas, cinco estações e oito moedas de um centavo o mundo caiu na pocinha.


POÇIÑA!!!!!

Quinta-feira, Março 08, 2007

arte cON-TEMPORÂ-NEA(O?)////

Leprechaun diz:
hoje eu acordei de madrugada, peguei meu celular (que tava do meu lado), escrevi Gakrus nas anotações e voltei a dormir
Leprechaun diz:
ainda nçao lembro o motivo de ter anotado o_o
Leprechaun diz:
hoje é dia de Ptgs e Quim, amanh~~a
Leprechaun diz:
é
Leprechaun diz:
dia de Lit e Ing
Leprechaun diz:
sábado é dia de casamento da professora de História

Terça-feira, Fevereiro 13, 2007

Olha, olha !

Ah, que lindinho! que fofinho! que espertinho!

Egoegoegoegoegoegoegoegoegoegoego
egoegoego

Boom!



Credo, como erra!
Tá até vermelho, nojento.

Credo!

ogeogeogeogeogeogeogeogeogeogeogE
!!ogeogeoge




Tá, eu te perdôo (ou não)

Quarta-feira, Fevereiro 07, 2007

Deveria estar no Curtas

- Óia main, foi feito no computadô!
- Qui lindo fio, mais sua ispreção tira o valô do trabaio manuau.

Quinta-feira, Janeiro 18, 2007

Curtas

- Metonímia Comparativa Temporal da Psicologia Comportamental
"Hoje você tava Freud, hein!"

- Filosofia Profunda
"Imagina uma flor. Isso. Continua imaginando..."

- Piada
"3,141592[...]ada"

- Poeminha
"Plantei um negocinho,
na terra do meu quintal.
Nasceu uma plantinha
que comi e passei mal.
Aí eu morri."

- Vazio
" "

- Incompleto
"Sabe quando você espera um texto enorme e ele termina antes da hora? então..."

Domingo, Dezembro 24, 2006

Visão de futuro

Escrevi, apaguei, fechei a música que tava tocando.
Tchau, Inspiração! Vê se volta logo!

E da próxima vez leva sua amiga Insanidade junto :D

Feliz Natal!

Hoje tem peru, tem doces variados, tem banquetes!
Tem fogos, roupas novas, supérfluos.
Tem beijos, abraços, família reunida, falsidade.

Hoje tem pessoas com fome, como sempre.
Assassinos que aproveitam a hora dos fogos, normal.
Hoje tem a maravilhosa máquina humana num pseudo-espírito natalino esperando por um presente no aniversário do salvador da maioria.

Hoje tem celebração humana.
Hoje tem putaria!

Feliz natal.

"Perdoai-vos Pai, pois eles não sabem o que fazem..."
- Profeta? Acho que é só usar a lógica, que já era válida desde Adão.

Sexta-feira, Dezembro 22, 2006

Ritual suicida da madrugada

- Certifique-se de que todos estão dormindo ou ausentes;
- Tome banho quente se for uma noite quente, ou frio se for uma noite fria;
- Descanse sua testa embaixo do chuveiro por, no mínimo, 20 segundos;
- Desligue o chuveiro e procure a toalha mais próxima;
- Seque-se e saia do banheiro ainda nu;
- Vista a cueca e a calça na cozinha;
- Ainda sem camisa, abra a geladeira e encha um copo com a água mais gelada que encontrar, beba sem respirar entre os goles
- Vista o resto das suas roupas;
- Vá para o PC e termine sua noite.

Segunda-feira, Dezembro 18, 2006

Quinta-feira, Dezembro 14, 2006

A (des)importância do método racional com ênfase em alguma coisa

E é em noites de calor que eu penso mais.
Aquele calor infernal maldito em plena madrugada atrapalhando meu sono, sem nada para fazer e sem vontade de ligar o computador. Deito na cama e penso, e penso, e penso.
Por isso em noites de calor eu penso mais.

E as pessoas se dividem e se procriam e ficam largando suas migalhas por aí, e ficam enfiando suas migalhas garganta abaixo de terceiros, e se gabam, e se lambem.
Enfim tudo se sintetiza em um chip biológico que passa tudo pra realidade numa capa de movimento e/ou ação.
Afinal até o infindável tem seu limite, mas somos demasiadamente humanos para sequer pensar nisso. O sobre-humano não passa de excesso de racionalidade, esse é o limite.

E a ordem não há mais, nunca houve.
E a visão não há mais, as pálpebras não permitem.

E os quatro níveis proíbem o uso do eu.

E eu durmo, sem saber porquê.

Terça-feira, Dezembro 12, 2006

Unchained Memory

Tem posts que eu cheguei a escrever, mas apaguei antes de postar.
Agora há pouco eu tava procurando um deles por aqui, mas eu nunca postei. E nem postarei.

Hah, engraçado, não?
É, não mesmo.

Terça-feira, Dezembro 05, 2006

Sutilidade

Ponto ponto ponto ponto ponto ponto ponto.(ponto)

Faltou criatividade.
Faltou criatividade!
Faltou criatividade?

Terça-feira, Novembro 28, 2006

Acômodo semi-controlável da evolução auditiva humana no âmbito urbano, também chamado simples e vulgarmente de "costume".

PRRRRRRRRRRRRRRRrrrrrrrrrrrrrr........... ...

PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIiiiiiiiiiiiiiiiiii...................... ...

PEHNPEHNPEHNPEHNpehnpehnephnephnehgepnhpnhe................... ...

Sexta-feira, Novembro 24, 2006

Energia Pura!

Atenção meninada! Quer ser bonito e desejado por todos? Quer ser popular? Queeeer ser o exemplo pra seus amigos ou observadores? Vire energia pura! ENERGIA PURA, meninada! É isso ae!
Mande agora sua cartinha para NASA, escrito no envelope "Quero virar energia pura!"

E que você seja bem recebido no buraco negro mais próximo, loser!

Segunda-feira, Novembro 13, 2006

To the lovely Mr. R

Lixos nascem, crescem.
Lixos seguem o fluxo, e se orgulham disso.
Lixos mudam de forma, e continuam se orgulhando disso.
Lixos gostam de feder e espalhar seu fedor e ouvir reclamações.

Ah se fosse somente lixo orgânico!

Quarta-feira, Novembro 01, 2006

Ciclo

Começou como um objeto, até que descobriu-se alguma utilidade; virou ferramenta.
De ferramenta aleatória foi melhorando até ser cotidiana e melhorando até ser essencial.
Da essência veio a alma e da alma veio a vida e da vida a multiplicação.

E da multiplicação veio a banalização e, enfim, o retorno ao seu posto inicial de objeto.

Quarta-feira, Outubro 25, 2006

Discurso ativo imposto, aceitação passiva imediata

Passando os fatos como uma luz num prisma contemporâneo, eu acho que tudo é uma bosta azul.
Bosta por ser, não tem discussão.
E azul por eu gostar, qual sentido em discutir?

Quinta-feira, Outubro 19, 2006

Terça-feira, Outubro 10, 2006

Profundo conhecimento pós-morte

- Cê vai morrer um dia?
- Vou.
- Por que?
- Pelo mesmo motivo que a galinha atravessa a rua.

Quarta-feira, Outubro 04, 2006

Ócio

Eu tava com sono e com tédio.
Eu tava com sono e com tédio de besta, eu tinha algo pra fazer.
Mas eu tava com sono e com tédio e com preguiça.

Eu tava com sono e com tédio e com preguiça procurando o que fazer.
Eu tava com sono e com tédio e com preguiça procurando o que fazer por não querer fazer o que tinha pra fazer.

Eu tava com tanto sono e tanto tédio e tanta preguiça que repeti um monte de vezes um monte de palavra pra escrever uma coisa infinitamente inútil.

Mas eu tinha o que fazer, eu juro!


[O que eu tenho, doutor?]

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Life in a box

Enquanto estava no banho eu pensava em coisas pra escrever (aqui e em qualquer lugar).
Lá, no banho, eu criei o mundo e o desfiz em vapor. E o restante, com a água, escoou.
Na sagrada missão do banho automático de fazer tudo sem pensar, tinha pensamentos vagos e pensei em pensar em escrever coisas e pensei em colocar aqui (ou em outros lugares).
Mas sempre, todos os dias, eu pensava mundos e outras coisas e assim que eu abria o box e pensava em me enxugar e me vestir, tudo ia embora (assim como o vapor e a água, daí vem a metáfora).
Então hoje me veio a luz (e a água na minha cabeça e o vapor formado dela).
"Ué!" já que as idéias l337s e tr00s iam embora (como o vapor que se espalha pelo banheiro todo e se perde ou como a água que vai pro ralo ou se deposita no chão e depois é seca), então vou escrever sobre as idéias (e sobre o vapor e sobre a água).

Aí a idéia se espalha em parágrafos cheios de frases e palavras e letras (acentuadas ou não) e pontuação
....em frases cheias de palavras e letras (acentuadas ou não) e pontuação
...em palavras cheias de letras (acentuadas ou não) que ainda dizem algo
..em letras sem acentos nem expressividade


Puf! virou alfabeto.

Quarta-feira, Setembro 27, 2006

Sábado, Agosto 12, 2006

[Petr]olhai-nos, Allah

S
o
l
d
a
d
o Soldado Soldado Soldado Soldado Soldado


-> E todo caos no oriente médio há uma explicação lógica e plausível: lá que mataram Jesus. É óbvio.

Domingo, Julho 02, 2006

CIRCLE 2,3,5,6

Cara, não tem jeito. Se você desenha um círculo, você tá desenhando a linha do círculo, não seu interior ou exterior. É uma linha, é isso.

Sábado, Maio 20, 2006

Superficial

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z
a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z


É, nem sempre os acentos, misturas e regras são visíveis.

Terça-feira, Maio 16, 2006

São Paulo living a chaos

Perfeição - Legião Urbana


I
Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso Estado, que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade.

II
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e seqüestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda hipocrisia e toda afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã.

III
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo o que é gratuito e feio
Tudo que é normal
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão.

IV
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso - com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção.

V
Venha, meu coração está com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão.

Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera -
Nosso futuro recomeça:
Venha, que o que vem é perfeição

Segunda-feira, Maio 15, 2006

Juíz de volleyball com rede concreta

João.
Achava ser inteligente, intelectual.
Outras pessoas também o achavam inteligente, intelectual.

Rejeitava inferiores e louvava superiores.
Sua visão do mundo ia de acordo com seus amigos que pareciam inteligentes, intelectuais que iam de acordo com outras visões que parecessem inteligentes, inteletuais. Assim também eram seus gostos gerais.

Não se redimia dos seus erros e ignorava o que não queria ouvir. Dizia aceitar críticas, mas só aceitava dos superiores. Falava mal de qualquer um mas não via suas falhas. Dizia que o mundo era falso, que todo mundo falava mal de todo mundo por trás.


Coitado, tão coletivo.
Tão itálico.

Quarta-feira, Maio 10, 2006

Tragédia

Dona Maria era uma senhora gorda, queria emagrecer.
Um dia ela foi a uma livraria procurar algo para uma nova dieta. Achou um livro sobre alimentação saudável.
Comprou o livro. Tinha capa dura, folhas nobres e era bem grosso; foi um livro bem caro. Tinha fotos charmosas e receitas.
A partir desse dia só comeu alimentos integrais e verde. Inclusive uma deliciosa salada de mamona.
Foi sua última refeição.

Coitada, nunca sequer leu o livro.